[REFLEXÃO] O Êxtase dos Santos e o Delírio dos Ímpios

    
 Por: Gustavo Leite Grillo
 
O homem virtuoso — o santo — não precisa recorrer à substâncias entorpecentes ou à sexualidade transviada para vivenciar plenamente o prazer da vida. Seu êxtase está continuamente fundado na sua atitude contemplativa frente ao espetáculo do cosmos.
    Para o homem santificado, apenas um simples olhar para a leveza do vôo de um pássaro, ou para o desabrochar das flores primaveris, basta para proporcionar-lhe êxtases não apenas qualitativamente superiores aos do adicto, mas de ordem totalmente distinta e mais elevada.
    De ordem superior, sim, uma vez que o êxtase do santo se dá pelo hábito contemplativo frente à inteligibilíssima realidade natural e sobrenatural com a qual se depara, reconhecendo a pequenez de sua razão perante a inteligibilidade suma de Deus e de sua criação. O toxicomaníaco e o pervertido entorpecem a própria razão, direcionando-a ao que é vil e ininteligível.
    Ademais, ainda pode-se elencar outra diferença importantíssima quanto ao êxtase dos dois: o prazer extático do homem justo jamais o enfada. E ainda que o santo deseje mais e mais a Deus após cada um de seus êxtases, nem por isso deixará de achar alegria e prazer em coisas pequenas, justamente porque enxerga a beleza participada na mais ínfima das criaturas. O viciado encontra apenas o tédio após seu delírios, ansiando por um prazer ilimitado que o destruirá aos poucos, uma vez sendo este impossível de se achar no que é limitado e finito.
    No fim, crer que homens ímpios e luxuriosos são mais alegres e plenos que os que seguem o caminho da virtude, é, no mínimo, fruto de uma infantilidade tremenda, quando não da própria malícia e cegueira do homem, tão comuns nos tempos contemporâneos.



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