[POEMA] O Marinheiro Orante e sua Nau

 Por: Gustavo Leite Grillo
 

 
Quando hei de ver,
Ó Senhor dos Céus, dos Mares e da Terra
Quando hei de ver os Vossos Portos?

Por entre as ferozes ondas desta vida,
Minha nau peleja, quase afunda,
Mas a mera lembrança de Vossa Terra
É o suficiente para me fazer suspirar.

Em meio a tormenta, minha alma se tranquiliza
Com a Imagem de Vosso País.
Claras águas e alvas praias, e para além,
Campos verdejantes
Sob a sombra de imutáveis picos montanhosos
E debaixo de um suave amanhecer.

Lá não há peleja.
Lá não há tormenta.
Apenas lá, viver é descansar,
Mais ainda: viver lá é amar!

Então vos peço, Senhor dos marinheiros,
Pescador de homens,
Guia-me ao meu destino em segurança,
Faz-me, um dia, atracar em teus portos
Na Habitação dos Justos,
No resplendor da Cidade dos Santos.

Até lá, vos peço:
Acalma estes ventos
Adestra esta maré
E se por acaso meu barquinho afundar
Vinde buscar-me, caminhando pelas águas,
Como sempre costumais fazer...

Amém.



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