[REFLEXÃO] Comentário quanto à liberação das drogas.

 Por: Vinícius Ferreira Pina

 

    

O ponto fulcral da imoralidade do uso de drogas entorpecentes, que nada mais é que a embriaguez, está em que ela priva justamente o meio pelo qual o ser humano age enquanto humano: o juízo racional, capaz de apreender o que são as coisas e seus bens próprios e ordenar a ação em vista desses bens.

 

  Tal uso não meramente faz um "desvio de finalidade" da mente humana, mas ele priva intencionalmente a consecução do bem tanto da inteligência teórica quanto prática (sendo, para ação, a última privação muito pior, visto que agir livremente é agir segundo o bem retamente apreendido pela razão prática).


   E perguntam: porque se proibir o uso de drogas entorpecentes, mas não o uso de álcool, que também embriaga (em sentido técnico da palavra embriagar)? Ora, porque o efeito maléfico (a privação do juízo racional e de seu bem próprio) das drogas entorpecentes é IMEDIATO¹, e a reta razão é um bem importantíssimo ao bem comum. Coisa que não se dá com o álcool, em que, pela moderação temperante, pode gerar prazer sem a embriaguez.

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1. Repare que, diferentemente das teses consequencialistas, não se deve defender que o uso recreativo das drogas entorpecentes é mau pelas consequências - elas são nada mais que a pena atrelada à má escolha. O uso delas é mau por si mesmo, pois independente de quaisquer circunstâncias, priva in actu, ou seja, imediatamente, um bem próprio do homem.

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