[REFLEXÃO] Emaús

 Por: Emerson Pereira.

Peru no Mês da Bíblia: nós também como "os discípulos a caminho de Emaús" -  Vatican News


   Emaus é para mim uma das passagens mais poéticas e belas das Sagradas Escrituras, talvez porque ela pareça tratar da oração.

   Cristo no caminho de Emaus aparece perguntando aos dois discípulos sobre os acontecimentos que aflingiam os seus corações, Ele sabia perfeitamente do que ocorrera, como sabe de tudo quanto é, foi e será, e mesmo assim pergunta, pois quer participação das criaturas que quis chamar "amigos", quer ter trato de amizade com elas, quer ter intimidade com elas, quer consolá-las e fortificá-las, mas não sem sua anuência e participação, mas como numa "orquestra" harmonizada entre Mestre e instrumentista – em que harmonia significa um papel bem maior do Mestre a partir de determinado ponto. Aqui, a conversa entre Mestre e discípulo me parece clara manifestação da oração. Um profundo trato de amizade, em que Cristo aparece "inadvertidamente" a "plantar" um chamado a uma conversa, pois a iniciativa é sempre dEle, e recebe o sim dos discípulos, ainda confusos sem perceber que era Seu Mestre.

   Assim é conosco, cada oração nasce de um chamado prévio de Deus pela graça, que se usa de inúmeros meios (uma leitura, conselho, sermão, lembrança, iluminação, etc), um convite para estarmos com Ele e conversamos com Ele como a um Amigo ou como a Alguém que quer ser nosso amigo, quando estamos mergulhados na lama do pecado e afastados dEle. É belo como o tempo parece passar rápido para o discípulos durante esse trato íntimo de amizade, de tal forma que, de tão submersos nas palavras doces e amorosas de Seu Mestre, pedem que fique, assim que Ele esboça ir embora. "Fica conosco, pois é tarde e a noite vem chegando". É belo e significativo também que a "oração" culmine na "eucaristia", por assim dizer, pois assim se revela mais plenamente qual deve ser o caráter da nossa oração, adoradora, sacrifical, de petição/intercessão e "glorificadora"/que dá ação de graças.

Comentários